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Archive for the ‘Reflex(ões)’ Category

Entrou na biblioteca com quem penetra num templo:

em busca de silêncio e de paz.

Aproximava-se a hora do fecho. Os poucos visitantes concentravam-se na ala central, mais iluminada; as partes laterais pareciam ter adormecido na suave penumbra que as envolvia, e que o atraiu de imediato.

Queria ler,

pensar,

entender o caos que fervilhava no cenário da sua mente,

atravessado por perguntas para as quais não tinha resposta.

É que todas as respostas encontradas já não serviam,

pois as perguntas estavam sempre a mudar,

o que o fazia sentir-se confuso e inseguro.

.
Percorreu vagarosamente as filas laterais, tacteando com delicadeza as lombadas dos livros, como que tocando uma música silenciosa de prece. Eis que um livro se insinuou sob os seus dedos; retirou-o e olhou-o: “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke. Abriu-o. O seu olhar conseguiu extrair da meia-luz uma frase que o fez estremecer:

“Quero implorar-lhe que seja paciente com tudo o que não está resolvido no seu coração e que tente amar as perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.

Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas,

porque não as poderia viver.

Pois trata-se precisamente de viver tudo.

Viva por enquanto as perguntas.

Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba,

num dia longínquo,

consiga viver a resposta.”

A voz do bibliotecário a anunciar o fecho fê-lo regressar à biblioteca. Devolveu o livro ao seu lugar e abandonou as alas obscuras, sentindo que um clarão o invadira:

Não obtivera as respostas que procurava,

mas encontrara o lugar das perguntas.

Isabel Bernard

… na sua própria casa…

Lugar das perguntas

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“Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase passou ainda estuda,

quem quase morreu ainda está vivo,

quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima,

o amor enlouquece,

o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão;

Para os fracassos, chance;

Para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que sonhando, fazendo que planeando, vivendo que esperando porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Luís Fernando Veríssimo

i can and i will

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estrela do mar“Era uma vez um escritor, que morava numa praia tranquila, numa colónia de pescadores. Todas as manhãs passeava à beira-mar para se inspirar e à tarde escrevia.

Um dia, enquanto caminhava pela praia, viu a silhueta de alguém que parecia dançar. Quando se aproximou, viu um jovem a apanhar estrelas-do-mar na areia e a jogá-las ao oceano.
Por que estás a fazer isso? – perguntou o escritor.
– A maré está baixa e o sol está quente. As estrelas vão secar ao sol e morrer se ficarem aqui na praia.
Mas jovem, existem milhares de quilómetros de praias por este mundo e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pelas suas areias. Jogas algumas de volta ao mar. Que diferença faz? A maioria vai morrer de qualquer maneira …
O jovem pegou mais uma estrela na areia e atirou-a de volta ao mar. Depois olhou para o escritor e disse:
– Para ESTA faz diferença!”

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Votos de um Feliz Natal

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e um óptimo Ano Novo 2011

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Porque é que as mães habitualmente costumam ser contra os filhos porem piercings,

mas mal nascem as raparigas furam-lhes logo as orelhas??

.

Não é tudo a mesma coisa??

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